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Varejo cresce no terceiro trimestre, mas recuperação segue desigual
O comércio brasileiro avançou 6,3% no terceiro trimestre de 2026, mas o recuo mensal de setembro reforça a necessidade de uma gestão mais granular da demanda na reta final do ano.
As vendas do varejo brasileiro cresceram 6,3% no terceiro trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo o Índice do Varejo Stone. O resultado também representa alta de 1,6% sobre o segundo trimestre e crescimento acumulado de 4,7% entre janeiro e setembro.
O dado positivo, porém, não elimina os sinais de acomodação. Em setembro, as vendas recuaram 0,3% ante agosto, embora tenham avançado 5,4% na comparação anual. A combinação sugere que o consumo permanece resiliente, mas não evolui de forma uniforme entre categorias, regiões e perfis de compra.
A diferença setorial é central para a tomada de decisão. Combustíveis e lubrificantes cresceram 14,1% no trimestre, supermercados, alimentos e bebidas avançaram 10,4% e farmácias subiram 5,6%. Na outra ponta, tecidos, vestuário e calçados foram o único segmento em queda, com retração de 3,5%.
O cenário também reflete o efeito do crédito caro. Categorias ligadas às necessidades do dia a dia mostram maior sustentação, enquanto setores dependentes de financiamento enfrentam mais dificuldade para ampliar o ritmo. Em setembro, apenas livros, jornais, revistas e papelaria, supermercados, alimentos e bebidas e farmácias cresceram sobre agosto.
Para a Black Friday e o Natal, a principal implicação é operacional: não basta projetar crescimento para o varejo como um todo. As empresas precisam ajustar demanda, sortimento, estoque, preço, promoções e capacidade de atendimento por categoria e região, evitando tanto rupturas nas linhas de maior giro quanto excesso de produtos em segmentos mais sensíveis ao crédito.
A leitura regional reforça essa necessidade. Em setembro, o Norte liderou a alta anual, com 10,2%, seguido pelo Nordeste, com 6,1%, enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste apresentaram avanços mais moderados. O desempenho agregado, portanto, deve ser traduzido em planos comerciais e operacionais específicos para cada mercado.
Crescer é positivo; crescer com precisão será decisivo.
